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Demo de Tracking & Targeting

Uma demonstração ao vivo, em três fases: o que o seu navegador revela sobre você, como esses dados são leiloados e como o perfil que resulta deles é usado para direcionar a manipulação. Tudo roda no seu navegador. Nada é enviado para lugar nenhum, a menos que você rode o teste de rastreadores: ele envia três requisições reais ao Google e ao X.

Como ler esta página. As três fases abaixo rodam ao vivo, mas o texto sustenta o argumento inteiro sozinho — dá para ler tudo com o JavaScript desligado. Abra a caixa "Mais a fundo" para ver como o teste de rastreadores funciona e quais são, honestamente, os limites dele.

A ideia desta demo vem do Cover Your Tracks, da EFF — a ferramenta que a Electronic Frontier Foundation mantém há anos para mostrar o que o seu navegador revela aos rastreadores e o quão única é a impressão digital (fingerprint) dele. Use-a junto com esta página para ter uma segunda leitura, independente, da sua exposição.

Este site usa só estatísticas de acesso sem cookies — nenhum dado pessoal, nenhum perfil (detalhes na página de privacidade). Com uma exceção, feita de propósito: esta página pode carregar três rastreadores reais de publicidade e de estatísticas, uma única vez, para que a demonstração abaixo possa testar de verdade se o seu navegador os bloqueia — mas só quando você aperta o botão da primeira demo; nada é carregado antes disso. São os únicos rastreadores do site inteiro. Cada requisição leva o que qualquer requisição de imagem leva — o seu endereço IP, o endereço do site (não o desta página: o site pede ao seu navegador que deixe o resto do endereço de fora) e qualquer cookie que o seu navegador já guarde dessa empresa, que é justamente o identificador que faz dela um rastreador. Se o seu navegador aceita cookies de outros sites, duas das empresas gravam um em resposta: o X, um cookie chamado muc_ads que dura dois anos, e a DoubleClick, um cookie de teste que dura quinze minutos. Nada mais é enviado, e nós não guardamos nada.

Fase 1 — O que esta página já sabe

Sem você clicar em nada, sem fazer login, o seu navegador revela muita coisa a cada site que você visita. A lista abaixo é o que esta página consegue ler sobre você com JavaScript comum — sem permissões especiais, sem nenhuma requisição ao servidor. Nenhum pedido de consentimento aparece para nada disso. Na UE, deveria aparecer: as Diretrizes 2/2023 do Comitê Europeu para a Proteção de Dados confirmam que ler informações já armazenadas no seu aparelho — que é o que a impressão digital do navegador faz — está sujeito ao artigo 5(3) da Diretiva ePrivacy e exige consentimento. Você raramente vai ver esse pedido. É o estado normal da web.

Cada sinal, sozinho, é banal. O tamanho da tela, o idioma, o fuso horário, a densidade de pixels do aparelho. Juntos, formam uma impressão digital muitas vezes suficiente para identificar você de um site para outro, sem cookie nenhum. Para medir com precisão o quão único é o seu navegador, a referência é a ferramenta Cover Your Tracks, da EFF.

Esses sinais — somados ao seu endereço IP, ao seu histórico de navegação e a registros de corretores de dados com quem você nunca teve contato — formam um perfil persistente. Os cookies são só um mecanismo entre muitos. A impressão digital do navegador resiste a apagar os cookies. O seu navegador também pode pedir para não ser rastreado. Na Califórnia, a lei obriga as empresas a respeitar o Global Privacy Control como um pedido para parar de vender ou compartilhar os seus dados, e o Colorado o reconhece com base na sua própria lei de privacidade; o sinal mais antigo, Do Not Track, foi engavetado pelo W3C em 2019, porque poucos sites e navegadores o adotaram.

O teste ao vivo acima examina três camadas, cada uma mais invasiva do que parece. As estatísticas de acesso são a camada que todo mundo aceita como inofensiva — "só estatística de visitas". Mas o Google Analytics está em quase metade de todos os sites — mais de quatro em cada cinco dos que usam alguma ferramenta de estatística (W3Techs). O cookie dele é gravado separadamente em cada site, mas em cada um deles o seu navegador envia ao Google o endereço da página e o seu endereço IP, que o Google pode usar, dependendo das suas configurações, para personalizar os anúncios que você vê em outros lugares. "Só estatística" é a matéria-prima de um registro de por onde você anda de um site para outro. A camada da bolsa de anúncios é onde esse registro vira produto: você é separado em públicos de remarketing e vendido. A camada social é aquela com que a maioria das pessoas nunca concordou — o botão Curtir do Facebook e seus equivalentes informavam a sua visita a cada página em que apareciam, você clicasse ou não, você tivesse conta ou não. A presença era o dado. O botão era o sensor.

Por que o teste de rastreadores diz só 'bloqueado' ou 'carregado' — e não 'parcialmente bloqueado'

O teste ao vivo acima informa dois resultados para cada rastreador: ele foi bloqueado ou carregou. O Cover Your Tracks, da EFF — a ferramenta em que esta demo se inspira —, informa um terceiro resultado, intermediário: proteção parcial. Algumas ferramentas de privacidade não bloqueiam o rastreador de vez; deixam a requisição passar, mas tiram dela a parte que identifica (o cookie), e assim o rastreador dispara sem conseguir reconhecer você de fato. O nosso teste de dois resultados não enxerga isso: chamaria esse rastreador de "carregado" e daria a entender que não há proteção, quando na verdade você está parcialmente protegido. Um resultado em três níveis — "bloqueado / parcial / carregado" — seria mais exato e ensinaria uma distinção real: um rastreador bloqueado não é o mesmo que um rastreador apenas neutralizado.

Por que, de propósito, não fazemos isso aqui. Para detectar o estado intermediário, o rastreador precisa informar o que recebeu — o cookie chegou? o identificador chegou? Rastreadores reais (Google, X) não nos contam isso. Então teríamos de manter um endpoint de rastreamento nosso, que registrasse o que recebeu. Só que ele precisaria ficar num endereço da web separado, que os bloqueadores de anúncios realmente reconheçam e bloqueiem — um endpoint próprio, neste site, nunca é bloqueado, e por isso diria "sem proteção" para quase todo mundo e enganaria você. E qualquer endpoint desse tipo recebe dados do seu navegador — o que quebraria a promessa feita no topo desta página: nada aqui é enviado para lugar nenhum. Toda versão honesta dessa melhoria exige uma infraestrutura que não temos, ou quebra essa garantia. Por isso mantemos o teste de dois resultados e o combinamos com a leitura da impressão digital logo abaixo dele, que mostra o ponto mais importante sem enviar nada: você continua identificável mesmo quando todos os rastreadores daqui estão bloqueados.

Este site não faz nada disso. Ele usa uma instância do Plausible hospedada por nós mesmos — sem cookies, sem coleta de dados pessoais e sem nada que identifique você. O que o quadro acima mostra é o que qualquer site recebe do seu navegador, inclusive este. Nós escolhemos não usar isso contra você. O que o site conta, sim, está listado na página de privacidade.

Fase 2 — Como esses dados são leiloados

Num site comercial típico, os milissegundos entre você abrir a página e a página ficar pronta para usar escondem um acontecimento: um leilão em tempo real (real-time bidding, RTB). O perfil do seu navegador é montado numa solicitação de lance e transmitido ao mesmo tempo para dezenas de empresas de publicidade. Elas avaliam, dão lances, e o anúncio de quem vence aparece. O leilão termina em cerca de 100 milissegundos — antes de você acabar de ler a manchete.

O detalhe decisivo está na palavra transmitido. Segundo uma pesquisa do Irish Council for Civil Liberties, estima-se que isso aconteça com o usuário médio de internet na UE 376 vezes por dia. Nos Estados Unidos, a estimativa é de 747 vezes por dia. Não só para quem vence o leilão — para todos os que dão lance. Toda empresa que recebe a transmissão pode guardar uma cópia do seu perfil, vencendo o leilão ou não, e nada no sistema impede isso.

Em 2022, a Autoridade de Proteção de Dados da Bélgica concluiu que o sistema de consentimento que o setor usa para o RTB viola o GDPR, e em 2024 o Tribunal de Justiça da União Europeia, respondendo a questões do tribunal de apelação belga, confirmou as duas premissas dessa decisão: a TC String que registra o seu consentimento é dado pessoal, e a IAB Europe é controladora conjunta dela — o que o Tribunal de Mercados da Bélgica confirmou em maio de 2025, mantendo a multa, mas decidindo que o papel da IAB Europe não se estende ao tratamento de dados dentro do próprio leilão. O leilão em si nunca foi declarado legal; o sistema que deveria legitimá-lo foi declarado ilegal. Em palavras mais simples: o mecanismo de consentimento em que o RTB se apoia foi considerado em desacordo com a lei, e o leilão continua rodando mesmo assim.

A simulação abaixo usa como entrada os sinais reais do seu navegador. As empresas que dão lance são reais; os valores dos lances são ilustrativos. Este site não faz RTB de verdade — o que você vê é o que acontece nos sites que fazem.

Fase 3 — Como esse perfil é usado para manipular você

O perfil montado na Fase 1 e vendido na Fase 2 pode ser comprado por qualquer um que tenha verba de publicidade — inclusive campanhas políticas, operações de influência patrocinadas por Estados e criadores de conteúdo de má-fé. O direcionamento que começou como publicidade comercial virou, pelo mesmo mecanismo, uma infraestrutura de influência psicológica em grande escala.

A demonstração abaixo mostra como. Com base nos sinais que deduziu de você, o sistema escolhe uma vulnerabilidade emocional. A partir dela, escolhe uma técnica de manipulação com um mecanismo psicológico documentado. A partir dessa técnica, monta o conteúdo — nome da fonte, manchete, texto, gancho de engagement, cada elemento uma escolha deliberada. Depois, o enquadramento é ajustado à faixa de renda e à região que o sistema deduziu para você — o medo de perder, para perfis que parecem ter patrimônio; o medo de ficar de fora, para perfis que parecem ter menos — e, como num sistema real, a variante que você recebe é escolhida por teste A/B conforme a combinação dos seus sinais. A demo diz exatamente quais deduções fez e por quê, inclusive as erradas: previsões grosseiras e erradas também viram ação.

O post que você vai ver é fictício e está identificado como tal. O objetivo é que você reconheça a técnica: pesquisadores da Universidade de Cambridge mostraram que saber como uma técnica de manipulação funciona antes de dar de cara com ela torna você significativamente mais resistente. Esse efeito se chama prebunking, ou inoculação psicológica. O jogo Bad News, da DROG, ensina isso de forma interativa em cerca de quinze minutos.

Uma coisa para fazer agora

Veja o que o Google e a Meta acham que você é. Os dois deixam você ver os interesses que atribuíram a você e desligar os anúncios baseados neles: Google My Ad Center · Preferências de anúncios da Meta (faça login antes).

O que você acabou de ver

Três fases, um único sistema. O seu navegador revela dados sem que você faça nada. Esses dados são leiloados para anunciantes — e para qualquer outro que tenha verba. O perfil que resulta disso é usado para escolher, e depois montar, conteúdo feito para driblar o seu senso crítico.

Nenhuma configuração isolada resolve isso por completo. Existem defesas parciais — o uBlock Origin (o bloqueador de rastreadores que Ferramentas & sites recomenda), o Firefox com a proteção aprimorada contra rastreamento, o navegador Brave, o Privacy Badger da EFF. Cada uma reduz a superfície de ataque; nenhuma a elimina. A resposta à altura da escala do sistema é estrutural; o GDPR e o Digital Services Act são as tentativas mais sérias até agora, e nenhum dos dois terminou o trabalho.

A defesa mais duradoura é reconhecer as técnicas quando você as vê. Esse é o argumento a favor do prebunking, e o motivo de esta página existir.

Fontes

  • OpenRTB specification — IAB Tech Lab.
  • Eckersley, P. (2010), How Unique Is Your Web Browser?, PETS 2010 — o estudo por trás do Cover Your Tracks, da EFF; fonte dos números de entropia por sinal no quadro da conta da impressão digital.
  • ICCL — pesquisa sobre RTB (2022); 376 (UE) / 747 (EUA) exposições por dia.
  • Comitê Europeu para a Proteção de Dados (2024), Guidelines 2/2023 on the Technical Scope of Art. 5(3) of the ePrivacy Directive — a impressão digital do navegador e outras técnicas de leitura do aparelho estão sujeitas à exigência de consentimento.
  • Autoridade de Proteção de Dados da Bélgica (2 de fevereiro de 2022), Decisão 21/2022 — o Transparency and Consent Framework da IAB Europe é declarado em violação do GDPR.
  • Autoridade de Proteção de Dados da Bélgica (14 de maio de 2025), The Market Court rules in the IAB Europe case — a Decisão 21/2022 anulada por razões processuais, a multa de €250.000 confirmada; a IAB Europe é controladora conjunta “for the processing of user preferences within the TCF”, mas não do tratamento feito inteiramente dentro do protocolo OpenRTB.
  • Tribunal de Justiça da União Europeia (7 de março de 2024), IAB Europe, Processo C-604/22 — uma TC String é dado pessoal, e a IAB Europe é controladora conjunta.
  • Tribunal de Justiça da União Europeia (29 de julho de 2019), Fashion ID, Processo C-40/17.
  • Roozenbeek & van der Linden et al. (2022), Psychological inoculation improves resilience against misinformation, Science Advances.
  • Cambridge Social Decision-Making Lab — pesquisa sobre prebunking.
  • Bad News — o jogo de inoculação, gratuito no navegador, do Cambridge Social Decision-Making Lab e da DROG.
  • EFF Cover Your Tracks.
  • W3Techs — uso do Google Analytics: 47% de todos os sites, 82% dos que usam uma ferramenta de análise de tráfego (outubro de 2026). Levantamento de um fornecedor comercial sobre os 10 milhões de sites mais visitados — uma estimativa do setor.
  • Google, [GA4] Cookie usage on websites, Analytics Help (lido em outubro de 2026) — as tags do GA4 usam cookies first-party para distinguir usuários únicos.
  • Google, How Google uses information from sites or apps that use our services, Google Privacy & Terms (lido em outubro de 2026) — quando você visita um site que usa o Google Analytics, o seu navegador envia automaticamente ao Google, entre outras coisas, o URL da página e o seu endereço IP.
  • Wang, J., Zhang, W. & Yuan, S. (2017), Display Advertising with Real-Time Bidding (RTB) and Behavioural Targeting, Foundations and Trends in Information Retrieval 11(4–5), 297–435 (versão aberta: arXiv:1610.03013) — da visita à página ao anúncio vencedor, "geralmente em até 100 ms".
  • Roozenbeek, J. & van der Linden, S. (2019), Fake news game confers psychological resistance against online misinformation, Palgrave Communications 5(65) — a avaliação do Bad News, com 15.000 jogadores; as seis técnicas que o jogo ensina.
  • Google, About your data segments, Google Ads Help (lido em outubro de 2026) — as listas de remarketing, agora chamadas your data: anúncios mostrados a pessoas que já interagiram com uma marca ou serviço, enquanto navegam no Google ou em sites parceiros.
  • X, How cookies are used on X, X Help Center (lido em outubro de 2026) — o X recebe informações sobre o seu aparelho, esteja você conectado ou não, quando você visita um site que integra serviços do X ou o site de um anunciante do X; um aparelho que já entrou no X continua associado àquela conta.
  • As próprias requisições do teste de rastreadores, registradas no Chromium em 22 de outubro de 2026 — cada uma levou Referer: https://attentionmachine.org/; t.co respondeu com Set-Cookie: muc_ads=…; Max-Age=63072000 (dois anos), googleads.g.doubleclick.net com Set-Cookie: test_cookie=CheckForPermission, que expira depois de quinze minutos, e www.google-analytics.com sem cookie nenhum. O painel de rede do seu navegador mostra os mesmos cabeçalhos quando você roda o teste.
  • Kahneman, D. & Tversky, A. (1979), Prospect Theory: An Analysis of Decision under Risk, Econometrica 47(2), 263–291 — “as perdas pesam mais do que os ganhos”.
  • Kohavi, R., Longbotham, R., Sommerfield, D. & Henne, R.M. (2009), Controlled experiments on the web: survey and practical guide, Data Mining and Knowledge Discovery 18, 140–181 — o método hash and partition: um hash do identificador de cada usuário define a variante em que ele cai.
  • Mattioli, D. (25 de junho de 2012), On Orbitz, Mac Users Steered to Pricier Hotels, The Wall Street Journal — a Orbitz constatou que usuários de Mac “gastam até 30% a mais por noite em hotéis” e passou a mostrar a eles “opções de viagem diferentes, e às vezes mais caras, do que as que os visitantes com Windows veem”.
  • California Attorney General (2026), California Consumer Privacy Act (CCPA), Departamento de Justiça do Estado da Califórnia (atualizado em 28 de agosto de 2026) — um controle global de privacidade ativado pelo usuário “deve ser respeitado pelas empresas abrangidas como um pedido válido do consumidor para interromper a venda ou o compartilhamento de informações pessoais”.
  • Colorado Department of Law (2026), Colorado Privacy Act (lido em outubro de 2026) — o Global Privacy Control, “o primeiro mecanismo universal de opt-out do estado”; o Departamento “publicou uma lista de mecanismos universais de opt-out (Universal Opt-Out Mechanisms) reconhecidos como compatíveis com os padrões do Colorado Privacy Act”.
  • W3C (17 de janeiro de 2019), Tracking Preference Expression (DNT), Working Group Note — publicado como Note porque não havia “implantação suficiente dessas extensões (como definidas) para justificar novos avanços”, nem “apoio previsto entre os agentes de usuário, os terceiros e o ecossistema em geral”.