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Livros

Não é uma lista completa. São os livros que sustentam mais diretamente o argumento deste site, começando pelos mais acessíveis. Cada um aparece abaixo com a editora e a edição.

Como ler esta página. Toque em qualquer palavra sublinhada para ver o termo exato e uma definição curta. Abra a caixa "Mais a fundo" para ver as evidências e os pontos contestados. A lista principal se sustenta sozinha.

Onde este site começou

Max Fisher — The Chaos Machine (2022)
O livro que inspirou este site. Um repórter do New York Times acompanha os algoritmos que maximizam o engagement, desde as decisões de design no Vale do Silício até as consequências no mundo — Mianmar, Sri Lanka, Brasil, Estados Unidos —, com documentos internos, whistleblowers e reportagem em campo. Caso a caso, o livro mostra o mesmo ciclo que este site descreve: a indignação prende a atenção, a atenção é o negócio, e ninguém precisa querer causar o dano para que o dano aconteça. É jornalístico, não acadêmico, e é o melhor relato narrativo da máquina em funcionamento.

Comece por aqui

Mary Aiken — The Cyber Effect (2016)
Uma ciberpsicóloga forense sobre como as pessoas se comportam de outro jeito online — crianças e adolescentes, relacionamentos, anonimato, uso compulsivo, crime. Onde Fisher acompanha as plataformas, Aiken acompanha as pessoas dentro delas. Escrito para pais e para o público em geral. Aiken argumenta sobretudo a partir de casos individuais e das próprias observações, menos a partir de pesquisas. Quando Gráinne Kirwan, professora de psicologia especializada em ciberpsicologia, resenhou o livro em 2017 para a The Psychologist, a revista da British Psychological Society, ela constatou que o livro aproveita muito pouco de duas décadas de pesquisa na área e pende fortemente para os danos da tecnologia, dizendo pouco sobre os benefícios que os psicólogos também encontraram. Leia pelas perguntas que ele faz, não como um resumo do que a pesquisa mostra.

Jonathan Haidt — The Anxious Generation (2024)
A síntese mais acessível das evidências sobre redes sociais e saúde mental dos jovens. Haidt reúne dados de vários países, vários estudos e várias disciplinas. Não está livre de controvérsia — as evidências em que ele se apoia são contestadas —, mas é o relato mais completo disponível sobre o que as evidências mostram e o que fazer a respeito.

Daniel Solove — Nothing to Hide: The False Tradeoff between Privacy and Security (2011)
A melhor explicação de por que "não tenho nada a esconder" é o enquadramento errado. Privacidade não tem a ver com segredo. Tem a ver com autonomia — o direito de formar ideias sem vigilância, de ter relações sem monitoramento, de controlar a sua própria história.

Anna Lembke — Dopamine Nation (2021)
Uma psiquiatra de Stanford explica a neurociência em termos acessíveis. Por que a dopamina move a busca, e não a satisfação. Por que uma recompensa variável é mais envolvente do que uma recompensa previsível. Por que o problema é o design, e não quem usa.

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Recompensa variável (variable reward, variable-ratio reinforcement)

Uma recompensa que chega em um ritmo imprevisível — às vezes, puxar a tela para atualizar mostra algo bom; na maioria das vezes, não. Skinner descobriu que esse padrão produz um comportamento mais persistente do que uma recompensa previsível, e é exatamente por isso que caça-níqueis e feeds o usam. É a incerteza, e não a recompensa em si, que faz você continuar puxando.

Fontes

  • Lembke, A. (2021), Dopamine Nation, Dutton.
  • Ferster, C.B. & Skinner, B.F. (1957), Schedules of Reinforcement, Appleton-Century-Crofts.

Para ir mais fundo

Shoshana Zuboff — The Age of Surveillance Capitalism (2019)
O relato acadêmico de referência sobre como os dados de comportamento se tornaram a matéria-prima de uma nova lógica econômica. Denso, mas completo; Zuboff é professora emérita da Harvard Business School. Se o livro inteiro assustar, comece pelos três primeiros capítulos.

Cass Sunstein — Republic.com (2001)
O primeiro grande estudo acadêmico sobre as câmaras de eco da internet e o que elas significam para o debate democrático — publicado cinco anos antes de o Facebook se abrir ao público e quinze anos antes de 2016. Impressiona pela precisão sobre problemas que ainda levariam uma década para se tornar visíveis na política.

Eli Pariser — The Filter Bubble (2011)
Deu nome, com precisão e em público, ao dano que a personalização feita por algoritmos causa à democracia. Foi aqui que a expressão "filter bubble" (bolha de filtros) entrou no vocabulário do público.

Naomi Oreskes & Erik Conway — Merchants of Doubt (2010)
O relato de referência sobre como a incerteza científica fabricada é usada para adiar a regulação — do tabaco às mudanças climáticas; a mesma cartilha se repete em torno das vacinas. Essencial para entender a seção “O que é a verdade?”.

Sander van der Linden — Foolproof (2023)
A teoria da inoculação contada para o grande público pelo pesquisador de Cambridge por trás dos estudos modernos de prebunking. Por que mostrar às pessoas as técnicas de manipulação — em vez de afirmações falsas específicas — cria resistência, e quanto tempo essa resistência dura.

Para dar contexto

Nicholas Carr — The Shallows (2010)
O que a internet está fazendo com o nosso cérebro, em especial com a leitura profunda e a atenção prolongada. Os exemplos envelheceram um pouco, mas o argumento central continua preciso.

Jean Twenge — iGen (2017)
Os dados demográficos sobre como a geração nascida entre 1995 e 2012 difere das anteriores, com o uso de smartphone e de redes sociais como variável central. É a fonte de dados em que Haidt mais se apoia.

Mais a fundo — a 'bolha de filtros' ganhou nome aqui, e ficou mais complicada depois

The Filter Bubble (2011), de Pariser, e Republic.com (2001), de Sunstein, deram nome a uma preocupação real: a de que a personalização fecha cada um de nós em um mundo de informação que se reforça sozinho. O termo pegou. Mas o quadro empírico se revelou mais matizado. Bakshy, Messing e Adamic (2015), ao estudar 10,1 milhões de usuários do Facebook nos EUA, em artigo na Science, concluíram que as escolhas das próprias pessoas sobre o que clicar limitavam a exposição delas a pontos de vista opostos mais do que o algoritmo de ranqueamento — um resultado que merece ser levado em conta, com a ressalva de que o estudo foi feito por pesquisadores do próprio Facebook, com dados do próprio Facebook.

A leitura honesta: as câmaras de eco e a exposição seletiva existem, mas são movidas tanto pela escolha humana quanto pelos algoritmos, e a versão forte da tese — "o algoritmo prende você" — é contestada. Listamos estes livros porque formularam bem a pergunta, e não porque cada afirmação deles resistiu à década seguinte de evidências. Essa é a autocorreção que a seção “O que é a verdade?” descreve, aplicada à própria lista de leituras deste site.

Fontes

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