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title: "Antes do segundo turno: o que está documentado sobre influência on-line"
description: "O que a Justiça Eleitoral, a ABIN, os observadores eleitorais e os checadores documentaram sobre influência on-line na campanha de 2026 no Brasil, e o que não documentaram."
url: https://attentionmachine.org/pt/blog/antes-do-segundo-turno-o-que-esta-documentado/
lang: pt
updated: 2026-10-20
license: "CC BY-NC-SA 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)"
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> **Conteúdo em revisão por voluntários** Falantes nativos estão conferindo esta tradução com o original em inglês. [Como traduzimos e como informar um erro (em inglês)](https://attentionmachine.org/en/about/translations/#volunteer-review)

# Antes do segundo turno: o que está documentado sobre influência on-line

10 de outubro de 2026

O Brasil escolhe seu presidente no segundo turno, em 25 de outubro[^src-organization-american-2026]. Em torno do primeiro turno, em 4 de outubro, muito se disse sobre quem poderia estar moldando a campanha on-line. Este post reúne o que foi documentado, por quem e como, e o que não foi, para que você possa avaliar por conta própria a próxima afirmação que encontrar.

Usamos apenas registros oficiais e pesquisas ou checagens que publicam seu método. Não citamos nenhum candidato nem partido no texto; os títulos de algumas das fontes, sim. As evidências abaixo tratam de práticas, e várias delas tinham como alvo os dois principais candidatos.

## As regras

As regras de propaganda eleitoral[^src-tribunal-superior-2019] do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alteradas para 2026 pela Resolução 23.755, de 2 de março de 2026[^src-tribunal-superior-2026], fazem quatro coisas que importam aqui:

- Proíbem deepfakes, conteúdo em áudio ou vídeo “gerado ou manipulado digitalmente” para criar, substituir ou alterar a imagem ou a voz de uma pessoa, usado para prejudicar ou favorecer uma candidatura.
- Material de campanha feito com IA precisa dizer isso “de modo explícito, destacado e acessível” e informar a tecnologia usada.
- Novidade de 2026: fica proibido publicar, republicar ou impulsionar com pagamento novos conteúdos feitos por IA com a imagem, a voz ou a fala de um candidato ou de uma pessoa pública, desde 72 horas antes até 24 horas depois do fim da votação, mesmo com rótulo.
- Também é novidade: sistemas de IA oferecidos pelas plataformas não podem “ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar” candidatos, mesmo quando o usuário pede.

Nem todos concordam com os controles do tribunal sobre a desinformação. Os observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA)[^src-organization-american-2026] registraram que alguns grupos políticos relataram desinformação e posts de ódio circulando apesar deles, enquanto outros argumentaram que tais controles “limitaram a liberdade de expressão e constituem uma forma de censura”.

## O que a agência de inteligência diz, e o que não diz

O relatório público da ABIN, a agência de inteligência do Brasil, _Desafios de Inteligência – Edição 2026_[^src-abin-2026], publicado em dezembro de 2025, chama a possibilidade de interferência externa na eleição de “fator de risco que não pode ser subestimado”. Ele lista os meios pelos quais essa interferência “pode ocorrer”: campanhas de desinformação sofisticadas, ataques cibernéticos à infraestrutura eleitoral e financiamento oculto de grupos políticos. Não cita nenhum país. É uma avaliação de risco, não uma constatação. O mesmo capítulo afirma que a estrutura dos algoritmos das plataformas é “desenhada para maximizar o engajamento”.

## O que não foi encontrado

No dia do primeiro turno, o presidente do TSE disse a jornalistas[^src-agencia-camara-2026]: “Até o momento, não temos nenhum indicativo concreto de interferência internacional”. O relato do próprio tribunal[^src-tribunal-superior-2026-b] sobre o pronunciamento daquela noite diz: “Não foram constatados fatos que indicassem interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro”. Os observadores da OEA citaram essa frase no relatório preliminar de 6 de outubro[^src-organization-american-2026].

Portanto, até 9 de outubro, nenhuma autoridade brasileira documentou uma operação estrangeira de influência pelas redes sociais contra esta eleição. Afirmar que ela existe vai além do registro; afirmar que a questão está encerrada de vez, também.

## O que foi documentado

**Posts pagos sem pagador conhecido.** O site de checagem Aos Fatos[^src-tai-nalon-2026] encontrou pelo menos 11 contas estrangeiras que publicaram no X, entre 18 e 21 de setembro, posts que promoviam um candidato à Presidência com o rótulo “parceria paga” do próprio X. A análise publicada em 25 de setembro afirma que “permanece desconhecido quem pagou pelos anúncios”. Outro candidato pediu ao TSE, em 23 de setembro[^src-caio-junqueira-2026], a remoção dos posts; até 9 de outubro, não encontramos decisão.

**Conteúdo de IA em volume, contra e a favor dos dois principais candidatos.** O projeto VigIA, da agência de checagem Lupa[^src-agencia-lupa-2026], que usa ferramentas de detecção da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coletou 1.941 posts políticos suspeitos entre 16 de agosto e 28 de setembro. Dos 972 que analisou, 920 foram confirmados como feitos ou alterados com IA. Desses, 554 eram deepfakes, e só 371 traziam algum rótulo de IA. Os dois candidatos que agora disputam o segundo turno foram os mais retratados, em posts que os promoviam e em posts que os atacavam. Na janela em torno do primeiro turno em que novos conteúdos de IA com candidatos estavam proibidos, de 1º a 5 de outubro, a Lupa[^src-beatriz-farrugia-2026] ainda contou 64 desses posts, 37 deles deepfakes.

São contagens, não alcance. O presidente do TSE disse em 4 de outubro, segundo a Agência Brasil[^src-felipe-pontes-2026], que o temor de uma onda de deepfakes também não se concretizou, sem ocorrências de repercussão significativa. As duas coisas podem ser verdade.

**Anúncios durante a proibição, inclusive anúncios falsos em nome do tribunal.** A propaganda eleitoral paga na internet é proibida desde 48 horas antes até 24 horas depois da votação[^src-tribunal-superior-2019]. O NetLab[^src-ufrj-2026], laboratório de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez buscas nas bibliotecas de anúncios das plataformas nessa janela e encontrou 568 anúncios irregulares nas plataformas da Meta. Outros seis imitavam o TSE e ofereciam uma forma inexistente de votar pelo celular ou de casa; alguns levavam a sites que pediam o CPF de quem os visitava. A Meta respondeu que “a amostragem deste relatório não reflete a escala do nosso trabalho de integridade”.

## Como checar e denunciar

- **Siade** é o canal anônimo do TSE para conteúdo falso sobre urnas eletrônicas, o processo de votação ou páginas e perfis que imitam a Justiça Eleitoral. O TSE explica como usá-lo[^src-tribunal-superior-2026-c].
- **Pardal** é o aplicativo do TSE[^src-tribunal-superior-2026-c] para propaganda eleitoral irregular, inclusive propaganda sem identificação na internet e vídeos enganosos de candidatos. Ele pede que você entre com o e-Título ou a conta gov.br.
- **Checadores** que publicam seus métodos: Aos Fatos, Lupa e Comprova[^src-fact-checkers-election], um projeto de redações liderado pela Abraji, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo.

Uma afirmação que não pode ser rastreada até um documento merece ser tratada com cautela, seja qual for o candidato que ela ajuda. O padrão mais amplo e o que se sabe de outros países estão em [Elections & Democratic Harm (em inglês)](https://attentionmachine.org/en/symptoms/elections/). Vamos reler estas fontes depois do segundo turno e corrigir este post se alguma delas mudar.

## Fontes

[^src-tribunal-superior-2019]: Tribunal Superior Eleitoral, [_Resolução nº 23.610, de 18 de dezembro de 2019_](https://www.tse.jus.br/legislacao/compilada/res/2019/resolucao-no-23-610-de-18-de-dezembro-de-2019), texto compilado: art. 9º-B (rotulagem de conteúdo de IA; § 3º-A, a janela de 72 horas e 24 horas), art. 9º-C § 1º (deepfakes), art. 28 § 1º-C (sistemas de IA não podem ranquear nem recomendar candidatos), art. 29 § 11 (proibida a propaganda eleitoral paga ou impulsionada na internet desde 48 horas antes até 24 horas depois da eleição).

[^src-tribunal-superior-2026]: Tribunal Superior Eleitoral, [_Resolução nº 23.755, de 2 de março de 2026_](https://www.tse.jus.br/legislacao/compilada/res/2026/resolucao-no-23-755-de-2-de-marco-de-2026), que altera a Resolução 23.610 para as eleições de 2026.

[^src-abin-2026]: Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), [_Desafios de Inteligência – Edição 2026_](https://www.gov.br/abin/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/defeso/sem-logo-de-gov_abin_desafios_2026.pdf), dezembro de 2025, capítulo "Segurança do processo eleitoral de 2026", pp. 68–70.

[^src-agencia-camara-2026]: Agência Câmara, [_Presidente do TSE diz não ter sinais de interferência estrangeira e registra substituição de 1.121 urnas_](https://www.camara.leg.br/noticias/1308707-presidente-do-tse-diz-nao-ter-sinais-de-interferencia-estrangeira-e-registra-substituicao-de-1-121-urnas), 4 de outubro de 2026.

[^src-tribunal-superior-2026-b]: Tribunal Superior Eleitoral, [_Presidente do TSE conclui 1º turno das Eleições 2026 e projeta mesma tranquilidade para segunda fase do pleito_](https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Outubro/presidente-do-tse-conclui-1o-turno-das-eleicoes-2026-e-projeta-mesma-tranquilidade-para-segunda-fase-do-pleito), 4 de outubro de 2026: a frase "não foram constatados fatos".

[^src-felipe-pontes-2026]: Felipe Pontes, [_Eleição segue normal e sem sinal de interferência externa, diz Marques_](https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-10/eleicao-segue-normal-e-sem-sinal-de-interferencia-externa-diz-marques), Agência Brasil, 4 de outubro de 2026: a declaração sobre deepfakes, em discurso indireto.

[^src-organization-american-2026]: Organização dos Estados Americanos, [_Preliminary Report of the OAS Electoral Observation Mission in Brazil_](https://www.oas.org/fpdb/press/2026_EOM_Brazil_General_Elections_First_Report_ENG.pdf), 6 de outubro de 2026, também publicado em português.

[^src-tai-nalon-2026]: Tai Nalon, [_Posts pró-Flávio no X expõem elo entre Polymarket e rede transnacional de desinformação_](https://www.aosfatos.org/noticias/posts-pro-flavio-elo-polymarket-rede-transnacional-desinformacao/), Aos Fatos, 25 de setembro de 2026.

[^src-caio-junqueira-2026]: Caio Junqueira, [_Renan aponta ao TSE interferência estrangeira na eleição em favor de Flávio_](https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/caio-junqueira/eleicoes/renan-aponta-ao-tse-interferencia-estrangeira-na-eleicao-em-favor-de-flavio/), CNN Brasil, 23 de setembro de 2026: o pedido ao TSE.

[^src-agencia-lupa-2026]: Agência Lupa, Projeto VigIA, [_1º turno teve quase mil conteúdos com IA para promover ou atacar candidatos_](https://uploads.agencialupa.org/2026/10/VigIA-Parcial-1-Turno.pdf), relatório parcial nº 2, 1º de outubro de 2026; [o método do projeto](https://www.agencialupa.org/observatorio/2026/08/11/como-o-vigia-monitora-conteudos-gerados-por-inteligencia-artificial-nas-eleicoes-de-2026/).

[^src-beatriz-farrugia-2026]: Beatriz Farrugia, [_Conteúdos com IA circulam em período proibido pela lei eleitoral_](https://www.agencialupa.org/jornalismo/2026/10/07/conteudos-com-ia-circulam-em-periodo-proibido-pela-lei-eleitoral/), Agência Lupa, 7 de outubro de 2026.

[^src-ufrj-2026]: NetLab UFRJ, [_Observatório das Big Techs: boletins do 1º turno, Eleições 2026_](https://netlab.eco.ufrj.br/post/observatório-das-big-techs-boletins-do-1º-turno-eleições-2026), outubro de 2026; os números conforme a reportagem de Rafael Cardoso, [_Big techs descumprem regras eleitorais no dia da votação, diz estudo_](https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-10/big-techs-descumprem-regras-eleitorais-no-dia-da-votacao-diz-estudo), Agência Brasil, 6 de outubro de 2026, com a resposta da Meta.

[^src-tribunal-superior-2026-c]: Tribunal Superior Eleitoral, [_Encontrou desinformação sobre as eleições? Saiba como denunciar ao TSE_](https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Setembro/encontrou-desinformacao-sobre-as-eleicoes-saiba-como-denunciar-ao-tse), 18 de setembro de 2026 (o Siade, e quando usar o Pardal em vez dele); [_Pardal – Eleições 2026_](https://www.tse.jus.br/eleicoes/pardal-eleicoes-2026).

[^src-fact-checkers-election]: As páginas de eleições dos checadores: [Aos Fatos](https://www.aosfatos.org/noticias/?canal=eleicoes-2026), [Lupa](https://www.agencialupa.org/eleicoes/), [Comprova](https://projetocomprova.com.br/) ([método](https://projetocomprova.com.br/about/metodologia/)).

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